obesidade infantil
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Obesidade infantil

 

obesidade infantil

Convivemos com a obesidade infantil que é um problema que não escolhe classe social e está associado também ao sedentarismo que a vida digital nos trouxe.

A obesidade infantil é um problema de saúde pública em escala mundial e a base alimentar muito calórica e pouco nutritiva, solicita urgente mudança nos hábitos alimentares.

A estimativa da OMS (ORganização Mundial de Saúde) é que o aumento da obesidade infantil no mundo para 2025 seja de 70 milhões de crianças abaixo de 5 anos!

O sobrepeso e obesidade em criança está associado a vários comprometimentos metabólicos e cardiovasculares e juntamente com a hipertrofia das adenóides e das tonsilas (amigdalas), representa um dos principais fatores de risco para apneia obstrutiva do sono (AOS) em crianças.

O excesso de tecido adiposo na região tronco-abdominal altera a mobilidade do diafragma e a expansão da caixa torácica que dificultam os movimentos respiratórios.

Pode ter fatores agravantes, seja o controle ventilatório, a anatomia crânio-facial e das vias aéreas – hipertrofias de adenoides e tonsilas – síndromes e enfermidades neuromusculares.

A obesidade está associada a um aumento na prevalência e gravidade da apnéia e é um fator importante na persistência e no seu agravamento ao longo do tempo.

A apnéia desregula a arquitetura do sono o que pode causar disfunção neurocognitiva, como dificuldade no aprendizado e comportamento anormal com quadros de irritabilidade.

Não podemos esquecer do aspecto psíquico-social.

A obesidade infantil pode trazer problemas emocionais na socialização e afetar a auto-estima da criança, causando prejuízos significativos na qualidade de vida.

Um problema complexo que requer atuação multiprofissional e imediata.

A síndrome da obesidade e excesso de peso compõe alterações de múltiplos órgãos, trazendo consequências diversas e maior risco de doenças  crônicas não transmissíveis.

Consequências ortopédicas como osteoartrites, consequências renais, aumento de pressão arterial, dislipidemia, alteraçoes  do sistema endócrino com aceleração da puberdade, resistencia a insulina (predispondo a diabetes 2), problemas psicossocial alterando a qualidade de vida.

Do ponto de vista odontológico há erupção precoce dos dentes, que pode ser justificada pela alteração de alguns hormônios do sistema endócrino responsáveis pela aceleração da puberdade.

 

É importante reconhecer que as consequências da obesidade infantil duram até a idade adulta.

 

Precisamos atuar de maneira a evitar que nossas crianças passem por isso.

A iniciar pelo pré-natal, pois as gestantes devem optar por alimentos saudáveis e limitar o consumo de alimentos industrializados e ricos em açúcar.  As papilas gustativas do bebê são formadas por volta da 12º semana intra-uterina e muito do que for ingerido pela mãe será reconhecido pela criança.

Um segundo fator de proteção da obesidade é o aleitamento materno.

O leite materno supre todas as necessidades nutricionais do bebê de maneira equilibrada associado com um comportamento ativo do bebê na ordenha do leite materno.

O leite materno possui além de macro e micronutrientes, substâncias bioativas como neuro hormônios que promovem a saciedade do bebê, a variabilidade e qualidade do leite nas diferentes fases de desednvolvimento.

O uso da mamadeira por outro lado, faz o bebê receber de forma passiva o conteúdo muitas vezes maior que o necessário.

Para evitar que se tornem adultos com excesso de peso (obesos ou com sobrepeso), os pais devem contribuir para que seus filhos tenham uma alimentação adequada e saudável.

Antes dos dois anos, os pais não devem oferecer açúcar e alimentos ultraprocessados para seus filhos, o que inclui suco de frutas e comidas industrializadas e refrigerantes.

Deve-se estimular o consumo de frutas e hortaliças.

A prática de atividades físicas é fundamental para todas as etapas do desenvolvimento infantil.

A começar pelo bebê que precisa de espaço para o desenvolvimento neuropsicomotor. Excesso de colo e bebê conforto podem atrapalhar, devemos deixar o bebê livre  em ambiente seguro  para que possa rolar e já iniciar os movimentos com o corpo.

Auxilia no equilíbrio do balanço energético e, consequentemente, na prevenção e tratamento da obesidade e de doenças relacionadas à obesidade nesta fase da vida.

A interpretação da mãe em relação ao choro do bebê pois nem todo choro é fome. Às vezes o choro pode ser apenas necessidade de aconchego, ou algum desconforto físico.

O uso de eletrônicos (celulares, tablets, computadores e TV) deve ser limitado a 2h por dia.

Além de evitar doenças crônicas, as atividades físicas auxiliam na melhora do rendimento escolar.

Prevenir a obesidade infantil significa diminuir a incidência de doenças crônico-degenerativas.

Prevenir a obesidade infantil significa melhorar, de forma racional e inteligente, a qualidade de vida de nossas crianças.

Qual a relação da criança com o alimento? Qual a alimentação da família?

Cuidado ao usar a comida como vínculo ou moeda de troca:

“se comer tudo, vou ficar feliz”, “se comer tudo, vai ganhar isso ou aquilo”

Fazer esse tipo de associação com a comida pode gerar ansiedade, depressão e compulsão.

A mudança deve ser do núcleo familiar, não adianta apenas um fazer dieta.

Deve ser uma mudança de estilo de vida, eliminando o sedentarismo, a alimentação não nutritiva e, preferencialmente, com auxílio de nutricionista e apoio psicológico.

 

https://www.saude.go.gov.br/images/imagens_migradas/upload/arquivos/2016-06/cartilha-obesidade-infantil.pdf

 

 

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Naia Tonhá Almeida
Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares, Atendimento Neonatal, Suporte ao Aleitamento Materno, Odontopediatria e Homeopatia. Especializanda em Síndrome de Down - T21

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