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Uso de chupeta: prós e contras

Uso de chupetas: prós e contras para uma escolha consciente!

 

Oferecer ou não a chupeta a um bebê?

Essa é uma decisão da família e baseada em anos e anos de uma cultura histórica de oferecer a chupeta a um recém-nascido.

Uma prática que vem de muitas gerações, criando quase como um padrão de comportamento: a chupeta já é comprada antes mesmo do bebê nascer!

Estudos apontam que 2/3 das mães de todo o mundo oferecerão as chupetas aos filhos em algum momento do primeiro ano de vida, sendo a maior parte entre o 1º dia e a 1ª semana de vida do bebê.

E a chupeta ainda ganhou status, com modelos divertidos, chiques e “ortodônticos”…

 

chupetas

 

Temos em principio dois posicionamentos:

  • A Organizaçao Mundial da Saúde (OMS) que não recomenda o uso de chupetas e mamadeiras a crianças amamentadas, pois considera ser um fator associado a menor duração do aleitamento materno e/ou pelo desmame precoce.
  • A Academia Americana de Pediatria (AAP) que recomenda como forma de prevenção da Síndrome da Morte Súbita do Lactente (SMSL) e que seja introduzida após o aleitamento materno estar bem estabelecido – por volta de 3 a 4 semanas de vida e apenas durante o primeiro ano da criança.

Como a chupeta afeta a amamentação?

  1. A chupeta pode causar interrupção do Aleitamento Materno – isso se explica pela “confusão de bicos”: o bebê que está em treinamento para a amamentação, recebe um outro estímulo que é a chupeta. O bebê sente dificuldade em adaptar posição de língua, lábios e bochecha e desiste do esforço necessário para a ordenha do leite materno.  Outros estudos relatam que bebês que usam chupeta, mamam com menos frequência, o que ocasiona menor produção de leite materno.
  2. O uso da chupeta ocorre devido a problemas na amamentação – mães que experimentam dificuldade na amamentação estariam desconfortáveis, inseguras e ansiosas, ficando mais propensas a oferecer a chupeta, introduzirem a mamadeira e a desmamarem mais precocemente.
  3. Temperamento do bebê, interação mãe-bebê e perfil da mãe e da família – aqui a oferta da chupeta e a amamentação sofrem influências do meio.

 

Argumentos contra o uso da chupeta:

Nas Funções Orais:    

  • Sucção: ocorre a chamada sucção não nutritiva, o bebê suga por longo período sem receber nenhum alimento. Essa prática pode levar à “saciedade neural” de sucção (alguns bebês tem essa necessidade), mas gera cansaço muscular e não saciedade, além de modificar o posicionamento de língua e outros músculos, ocasionando a confusão de bicos, pois na ordenha no peito da mãe a dinâmica muscular é outra.
  • Mastigação e deglutição: os músculos que irão atuar na mastigação e deglutição tem seu treinamento iniciado ainda no útero, (através da deglutição do líquido amniótico) até o exercício realizado na amamentação. A mastigação é uma atividade complexa e aprendida durante a vida, que precisa de estímulos e textura de alimentos diferentes para sua consolidação. Pode ser alterada pelo uso da chupeta modificando a característica normal de mastigação bilateral e alternada, com tendência a ser unilateral ou vertical. Esse padrão alterado de mastigação afeta as articulações têmporo-mandibulares e toda musculatura fica comprometida, podendo causar deglutição atípica, com interposição de língua e participação de lábios, queixo e bochechas.
  • Respiração bucal: o padrão respiratório de crianças que usam chupeta, frequentemente se altera de nasal (desejado) para bucal ou misto. Levando a adaptações patológicas das características posturais e morfológicas, deixando o sistema respiratório mais vulnerável a doenças. Lembrando que a amamentação favorece a respiração nasal, promovendo um adequado desenvolvimento craniofacial.
  • Fala e linguagem oral: o uso de chupeta pode causar alterações por alguns motivos: limita o balbucio, a imitação dos sons e a emissão das palavras.
  • Dentição: os dentes se posicionam entre forças musculares importantes: língua e musculatura perioral (lábios e bochechas). A chupeta cria condições inadequadas, podendo causar alteração de forma e função. A chupeta é fator de risco para a má-oclusão, sendo a mordida aberta anterior e mordida cruzada posterior as mais frequentes.
  • Otite média aguda: Caracterizada pela presença de liquido no ouvido médio. A explicação é que na sucção da chupeta, não é exigido o mesmo trabalho muscular e pressão negativa da sucção da mama; não existindo o constante estimulo do músculo tensor do palato membranoso, o responsável pela abertura da tuba auditiva e que tem um papel importante na prevenção das otites medias.
  • Segurança imunológica, química e física: a chupeta pode ser um foco de infecção, podendo afetar o sistema imunológico da criança, está relacionada com maior incidência de diarreia, dor de ouvido, vômitos, febre, aftas, candidíase oral. Possibilidade de asfixia por partes e acessórios, possibilidade de laceração da boca oral ou base do nariz, em caso de queda. Substâncias adicionadas ao látex para dar elasticidade, que podem persistir e se volatilizarem quando em contato com a saliva e que podem trazer riscos à saúde da criança.
  • Níveis de inteligência: Um estudo que acompanhou crianças até a idade adulta aponta desempenho 16% menor nos indivíduos que usaram chupeta na infância: a explicação é que a criança que utiliza chupeta provavelmente solicita menos atenção dos pais/cuidadores e, como consequência, é menos estimulada.
  • Vícios orais na vida adultos: Hábitos orais não nutritivos podem ser substituídos ao longo da vida por comportamentos como: fumar, comer excessivamente ou outros transtornos compulsivos. A explicação é que tanto a introdução do hábito da chupeta quanto o de fumar, por exemplo, são mecanismos externos utilizados com o intuito de acalmar.

 

Argumentos a favor o uso da chupeta:

 

  • Estimulação não nutritiva: Em recém-nascidos prematuros alimentados com sonda gástrica, a chupeta tem sido apontada como uma alternativa que visa propiciar transição mais rápida para a alimentação oral. Essa estimulação que pode ser feita com chupeta ou dedo enluvado parece oferecer benefícios para a maturação da sucção do bebê, maior ganho de peso e menor tempo de hospitalização. O sucesso do aleitamento materno depois estará condicionado a dificuldade de produção láctea da mãe e a maneira como for realizada a transição alimentar (translactação ou copinho – na ausência da mae).
  • Redução da Síndrome da Morte Súbita do Lactente: Estudos americanos apontam o uso da chupeta apenas na hora de dormir, como efeito protetor e conclui que a chupeta diminui o risco a esse evento. Reconhecem os efeitos negativos da chupeta e limitam sua recomendação: após o primeiro mês de vida e até 1 ano de idade. Mas os pesquisadores apontam que o aleitamento materno também protege e tem um efeito protetor maior para o lactente contra a ocorrência da SMSL, independente de outros fatores de risco. A recomendação especifica do Ministério da Saúde, desde 2007 para um sono seguro do bebê, é o decúbito dorsal como posição para dormir (barriga para cima).
  • Manejo da dor do recém-nascido: Autores apontam que o uso da chupeta tem sido recomendado no gerenciamento da dor ou desconforto em recém-nascidos e lactentes, pela inibição da hiperatividade e modulação do desconforto. Da mesma forma o aleitamento materno durante procedimentos dolorosos também reduz a dor, com múltiplos mecanismos envolvidos (contato pele a pele, calor, balanço, cheiro, voz materna e possivelmente opiáceos endógenos presentes no leite materno).
  • Modulação do comportamento agitado do bebê: Entre os benefícios da chupeta está seu efeito tranquilizante sobre o comportamento de bebês agitados, irritados e com cólicas. No entanto, existem outras estratégias para acalmar bebês e manejar seu choro, como organizar globalmente o bebê, aconchegá-lo, cantar, praticar contato pele a pele, dar banho, usar o ofurô, shantala (massagem). Para qualquer idade da criança é importante que os pais sejam capazes de suportar a angústia do choro da criança e de dar um tempo para compreender/significar qual o incômodo e/ou necessidade da criança que causou o choro.

 

Perguntas importantes:

Faz diferença o tempo de introdução da chupeta? Qual a motivação para o uso da chupeta? Que situações levaram à introdução da chupeta? Qual o papel da chupeta na dinâmica familiar? Como aconteceu seu uso: frequência e intensidade? Em quais circunstâncias o bebê precisa ser acalmado? E como?

  • O bebê só consegue se comunicar através de resmungos, choros e gritos.

Quando a oferta da chupeta se dá tão logo a criança dê o primeiro resmungo ou ainda a oferecem sem nenhum motivo:

A chupeta pode fazer com que a criança fique quieta, mas não significa que a criança foi atendida em sua necessidade. A criança acaba se conformando com o prazer que lhe é oferecido. Por isso a importância da escuta do bebê e do diálogo com a criança.

Sem esquecer que cada criança vai apresentar habilidades orais individuais, ou seja, em alguns casos a chupeta pode impedir o aprendizado da amamentação.

No início da vida os bebês ainda estão amadurecendo seus reflexos orais e realizando o aprendizado da ordenha no peito. A confusão de bicos pode desencadear em movimentos orais atípicos, causando disfunções. E uma vez instaladas, difícil de modificar, tanto no bebê recém-nascido, como em bebês mais maduros.

Com base em todas essas informações, considerando aspectos específicos de cada caso, apoiamos as decisões de cada família e adequamos as recomendações caso a caso, por exemplo restringindo o uso da chupeta e não deixando à disposição da criança.

Mas a decisão da família precisa ser pautada em todos prós e contras.

 

*Seguindo a linha de raciocínio de um trabalho da Sociedade Brasileira de Pediatria, escrito pelo Departamento de Aleitamento Materno (n0 3 Agosto/2017)

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Naia Tonhá Almeida
Especialista em Ortopedia Funcional dos Maxilares, Atendimento Neonatal, Suporte ao Aleitamento Materno, Odontopediatria e Homeopatia. Especializanda em Síndrome de Down - T21

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